19 de outubro de 2009

Cheiros

Tem de ser bem devagar,
e tenho de prestar atenção.
Respirar lentamente e não me mexer.
Em algum ponto eu sinto um cheiro que emana do peito.
Quero respirar bem fundo e puxar tudo, até o fim.
Mas delicado como é, seu odor é quase rarefeito.

"Continuo procurando-o em meio a inspirações."

É um cheiro que à noite fez diferença.
Presença não esperada.
Deslavada essa coisa, que são cheiros e são tocáveis
E são tocantes, e impressionante que nem é emocional,
Carnal: é completamente físico.
Incrível como acontece quando me mexo,
Algo sobe pelo queixo,
envolve o pescoço e termina no nariz.

Não.. não termina no nariz, vai muito mais longe.
Interfere até onde coisas que não existem, que não estavam lá,
e que se fazem notar, afloram.
É um baixar de olhos e um sorriso.
É um perigo disfarçado numa entrelinha,
Que recria um certo tom de fantasia,
que se vai aos poucos com o raiar do dia.

Cheiros sao mais fortes que muita coisa.
E muita coisa fica mais forte com um cheiro.

4 de outubro de 2009

Elas malditas

É que vemos aquela pernas brancas,
em preto e branco,
meias altas,
meias pretas,
cabelos presos,
cabelos lisos,
olhos maquiados,
olhos claros,
vestidos curtos,
vestidos muito curtos... e ainda fazendo
biquinho e falando francês?

Me diz... quem é que resiste?

E elas ainda resolvem ser tristes,
quando não resolvem ser lolitas...

O que fazer?

2 de outubro de 2009

E agora josé (dois)

A vida passa moço, e não passa tão rápido assim
Você vai conseguir sentir todas as vezes que ela passar
ou vai fechar os olhos e vai sentar

Não entendo porque de tanta discussão
Tanta defesa pra continuar sua construção
que vai ficando as traças
que vai ficando sem graça
e vais ficando na praça
com um copo na mão

Porque você faz isso moço?
Sorri brincando,
Sonha acordado,
Só segue andando,
sem nada acabado.

Porque você briga
e depois se desliga
esquece da vida,
brincando de viver.

O que deixou pra trás,
o que você quer rapaz,
o que vai construir
quando não tiver onde ir?

Te amo rapaz,
mas fica em paz.
E não fica pra traz,
não faz assim rapaz.

21 de setembro de 2009

Ódio

Odeio tanto, com tanta força que sou capaz
de tirar a roupa e jogar na cama.
Odeio tanto que beijaria até perder a linha,
e até sozinha posso odiar e depois gozar.

É aquele ódio que mulher sente, que se resente
pra depois passar.
Aquele ódio que queima por dentro, que se confunde
e que se funde com o que não é odiar.

É tudo aquilo que você diz brincando,
que eu enrraiveço pensando,
que você está certo e que de certo
eu vou sentir.

Vem e tira isso de mim.
Vem e apaga isso enfim.

E vem, mas vêm de uma vez.

Faltou tua música

E como não podia de deixar de ser
esses amigos são pra essas coisas
te dar cascudos doídos,
escutar suas insanidades,
e te fazer lembrar porque te fazem chorar
na calçada do prédio, só pra fazer
você entender que eles te amam.

Como não podia deixar de ser,
morena.
Como não podia deixar de ser.

Você me faz pensar duas vezes, até hoje.
Mesmo que eu me dê licença pra opinar.

12 de agosto de 2009

Cantar é bom

Cantar te deixa saudades
Sussurrar palavras melosas
melodiosas, delícia de linha
sinuosa que não existe
e insiste em te amarrar.

Cantar é bom, é um som
tão bom, movimento
e tom que te faz sonhar.

Saudades, sim, saudades de ser assim.
Saudades até de mim, da nota, do tom carmim.

"Voltei a cantar, porque senti saudades".
Dá-me tuas notas e deixa eu te cantar?

2 de agosto de 2009

Sim, mas não!

Te suma, consuma!
mas em suma, não vá.
Que lá é lugar de nada pra ti
Mas aqui também ninguém
Nunca ficou.

Nem dentro, nem fora,
Mas agora ... te quero aqui.
E não quero também,
te quero aquém...

Mas eu quero pra mim.